domingo, 31 de janeiro de 2010

Painel da Comunicação


Olá amigos,


A partir de hoje, o Questão de Comunicação trará entrevistas para mostrar a quantas anda o mercado de comunicação, sob diversas óticas - da assessoria de imprensa, passando pela comunicação interna, jornalismo diário etc.


Para estrear, convidei a experiente jornalista e colega de faculdade, Deborah Jacob, diretora de de contas da Agência de Relações Públicas Hill & Knowlton, de São Paulo, para compartilhar conosco sua vivência na área de comunicação empresarial. Deborah ingressou nesse setor em 1999 para obter experiência em relações públicas. Onze anos depois, a jornalista observa muita evolução no mercado.


Confira e comente!


Como você percebia o mercado quando ingressou na área de assessoria, em 1999?

No Brasil ,o trabalho de comunicação corporativa/relações públicas estava muito focado em assessoria de imprensa. E, na verdade, a comunicação corporativa engloba muitas áreas como comunicação de crise, interna, public affairs e tantas outras formas de comunicação que não apenas com a imprensa. No entanto, o mercado, naquela época, apenas enxergava este nicho. Nas empresas, a área de comunicação não era vista como essencial, algumas vezes podíamos encontrar a comunicação como uma divisão do departamento de marketing ou com recursos humanos, quando na verdade deveria existir um departamento específico de comunicação/relações públicas nas empresas.


Hoje, após tantos anos, quais diferenças você nota?

Felizmente, tenho notado evolução no entendimento sobre comunicação corporativa e o aumento do escopo de trabalho. A evolução da internet e as mídias sociais agregaram muito para diversificar as formas de comunicação, hoje temos o PR 2.0 - ferramentas de comunicação direcionadas ao universo digital e redes sociais -, muito avançado no país. Além disso, as empresas compreendem que a comunicação pode ser ampliada de diversas maneiras e com diversos públicos. O foco ainda é a imprensa e acho isso muito positivo, mas quando as pessoas olham a área de comunicação, já buscam por um trabalho mais completo e diversificado.


As empresas estão valorizando mais a comunicação corporativa?

Sim, as empresas estão compreendendo o verdadeiro papel da comunicação corporativa e o quanto esta área pode agregar aos demais negócios como vendas, marketing, recursos humanos e, principalmente, ao valor da marca para o mercado. A comunicação corporativa trabalha diariamente para a manutenção e ampliação da visibilidade positiva da empresa, seja com funcionários, fornecedores, parceiros, acionistas, consumidor final, entre outros. Um trabalho que deve ser frequente e a longo prazo.


A atuação dos profissionais de comunicação também mudou?

Acredito que os profissionais de comunicação estejam mais dinâmicos e com um bom conhecimento sobre os desafios sobre a área de comunicação. É necessário um contínuo aperfeiçoamento e entendimento das mais diversas ferramentas de comunicação do mercado. Às vezes, a ferramenta ideal de comunicação ainda pode ser um sinal de radio (localidades remotas sem internet) e outras há necessidades de sistemas integrados de webcast (conferenciais globais). Os profissionais de hoje devem estar preparados para a diversidade e a agilidade do mundo globalizado.


Como você direcionou e desenvolveu sua carreira?

Como me formei em jornalismo achei importante fazer pós-graduação em relações públicas para obter na teoria o que já fazia na prática. Foi muito importante para minha carreira, trouxe informações e visões de diferentes áreas de atuação. Inglês e espanhol como qualquer outra carreira esta se mostrando fundamental. E, se houver a possibilidade de um curso de aperfeiçoamento no exterior é um bom diferencial no mercado de trabalho e para a experiência pessoal.


Quais são suas expectativas e projetos para o futuro?

Espero sempre ampliar minha área de atuação e conhecimento. A curto prazo, espero trabalhar mais relações públicas na America Latina, que tem se mostrado um mercado emergente em potencial e sempre estar atenta as novidades do mercado. Quero continuar aprendendo coisas novas a cada dia e sempre encontrar novos desafios no ambiente de trabalho.


Como é sua rotina?

Como trabalho em uma agência de comunicação, o dia a dia é bem dinâmico. Participo de diversas reuniões para acompanhar o andamento das ações com cada cliente; desenvolvo planos de ações para as atividades de comunicação, fico envolvida com as principais ações em cada cliente. É interessante porque, enquanto um cliente está lançando um novo produto, outro está desenvolvendo uma campanha de comunicação interna, e para um terceiro estamos trabalhando em um treinamento de crise. Não tem muita rotina, é preciso saber administrar muito bem as prioridades do dia para dar atenção e o atendimento dedicado para cada um dos clientes.
Aguarde mais entrevistas nos próximos posts!
Um abraço!

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Mais duas coisas

1) Agradeço ao amigo Cassio Utiyama pelo incentivo e persistência - voltei ao blog! =)

2) Estou em uma nova fase profissional, em uma outra empresa - relato em breve!

Abraços e até a próxima,
Regina

RedeTV News traz apresentador Marcelo Medeiros esta semana

Pessoal,

com muito orgulho e alegria que informo que meu grande amigo e colega de profissão, Marcelo Medeiros, será o apresentador do RedeTV News desta semana. Todos os dias, às 21h, não percam!

Fico super feliz ao ver meus amigos decolando na profissão. O Marcelo é um grande profissional e, acima de tudo, como diria Faustão, uma figura humana das mais valorosas (rs...).

Merecidíssimo. Que seja a primeira de uma série de conquistas. Competência não falta!

Um abraço e sucesso ao querido Marcelo!

Saindo da catacumba...

Depois de meses sem aparecer, e incentivada por muitos amigos, retomo as postagens neste blog de onde "vos digito".

Tive um segundo semestre de 2009 bem atribulado, o que dificultou um pouco minha aparição por aqui.

Peço desculpas a todos por esta indisciplina e prometo melhorar em 2010!

Aliás, já terei novidades...novo post saindo em 5 minutos!

um grande abraço e feliz ano novo!

terça-feira, 7 de julho de 2009

Showneral

Tudo bem, ninguém aguenta mais ouvir falar em Michael Jackson, Thriller, operação no nariz, cor de pele, recorde de vendas, pai maldoso... mas é incrível como a mídia está se esbaldando com o assunto, que rende mais que bolinho de chuva feito pela vovó. Parece criança quando ganha caixa de bombom ou um brinquedo novo. Usa até enjoar...depois, esquece e joga fora. Pode apostar.

Mas, enquanto isso, segue o baile, quer dizer... o enterro... quer dizer, o show!

Um abraço!

Desafios da mudança

Um dos clientes que atendo está passando por um intenso processo de mudança, pois a empresa foi comprada por outra, do mesmo setor. O negócio, a princípio, deixa as pessoas completamente perdidas e atordoadas. Ninguém sabe muito para onde ir, o que fazer.

São duas culturas em transição, tentando se "entender". E não é fácil. Afinal, você se acostumou com um tipo de trabalho, processos específicos... não é do dia para a noite que se consegue adaptar. Se é que é possível se adaptar. Exemplos temos aos montes.

De qualquer forma, eu, como uma espécie de "consultora" de comunicação interna, tenho o papel de compreender e buscar acalmar o cliente. Mostrar para ele que é preciso ter paciência e objetividade nesse momento. Que a comunicação é o grande elo. É ela que abre caminhos, expande os horizontes, clareia as ideias. Temos, acima de tudo, que abrir alas para uma compreensão maior, das oscilações emocionais, porque elas acontecem aos montes nessas horas de instabilidade e incertezas.

É um aprendizado para quem está na empresa e para seus fornecedores, como é meu caso. Todo mundo entra na "dança". Mas, se tivermos disposição e, repito, paciência, o benefício é o melhor possível. Não é dinheiro, status, nada. É o aprendizado e a intensa vivência da difícil arte da convivência e da comunicação.

Eu estou aprendendo... muito! =)

Um abraço!

domingo, 21 de junho de 2009

Sobre STF, diploma que caiu e afins


Pois é, o assunto da última semana foi o fim da obrigatoriedade do diploma para exercer o jornalismo. Muitos amigos e colegas jornalistas estão revoltados - com razão, mas não vejo motivo para tanto alarde.

Acho que as faculdades não vão sumir, vão se adaptar. Os cursos formarão profissionais mais aptos e preparados. Vamos e convenhamos: tem muita faculdade aí fundo de quintal também que não prepara ninguém, e as redações são invadidas por "pseudo-profissionais" que nem escrever ou falar direito sabem.

Por outro lado, foi de extrema infelicidade a comparação do Exmo. Sr. Gilmar Mendes com a digna profissão de chef ou cozinheiro. Primeiro, a exemplo do ótimo comentário do Gilberto Dimenstein na Folha de hoje: um chef não sobrevive muito tempo na profissão sem diploma - afinal, há cursos famosíssimos, no SENAC e outras escolas renomadas de culinária.

Fora isso, publico aqui uma entrevista que fiz com um grande amigo, advogado, defensor da liberdade de expressão e, acima de tudo, do jornalismo como balizador de uma sociedade mais consciente e aberta. Trago uma visão de fora, que sempre traz algo para reflexão.

O futuro do jornalismo, para um não-jornalista
Hélio Souza, advogado, de Salvador (BA)

Como advogado, como avalia o papel do jornalista para a sociedade?
Constitucionalmente, a liberdade de imprensa é a garantia da Democracia e o jornalista tem uma função vital na defesa das instituições, na representção da opinião pública e na resistência ao arbítrio. Ao longo de duas décadas após a redemocratização, tem papel essencial nos grandes eventos que moldaram nossa democracia.

Como você recebeu a notícia da decisão do Supremo Tribunal Federal de eliminar a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão?
Creio que o STF procurou proteger a liberdade de expressão, o direito adquirido de profissionais que se tornaram uma referência para o exercício do jornalismo, a despeito da lacuna da ausência de formação jornalística. Mas acredito que o STF não impediu que haja regulamentação para proteger áreas específicas do exercício jornalístico.

Qual seria uma alternativa de regulamentação?
A exigência de um exame para o exercício da profissão nos moldes já existentes na área jurídica e na contábil, por exemplo.

Mas haveria a necessidade de um diploma específico?
Sim, em áreas de atuação extremamente específicas, deveria haver não só o diploma, como, reforço, a aprovação em um exame rigoroso que avaliasse a capacidade para o exercício profissional. Áreas em que não houvesse violação ao princípio do livre exercício de opinião, consagrado pelo STF, e que os conselhos da área jornalística definissem como estritamente técnicas e, consequentemente, como restritas a profissionais com formação jornalística e aprovação em exame de carreira. Na minha área, por exemplo, quando os rábulas foram abolidos, os rábulas antigos foram anistiados [nota da redação: rábulas ou provisionados, no Brasil, eram os antigos advogados sem formação acadêmica em Direito, que conseguiam autorização do Judiciário, no período imperial, ou da entidade de classe, para exercer, em primeira instância, a postulação em juízo. Fonte: wikipedia]

Como seria não violar o livre exercício de opinião?
Na prática, todo cidadão tem o direito de se expressar. Para você ter ideia, jornais não demandam concessão, como rádios ou emissoras de TV. Você pode abrir um jornal livremente e dizer o que quiser, se responsabilizando apenas por declarações que afetem a honra, que sejam racistas etc.

Você crê na necessidade de uma formação específica em comunicação?
Sem dúvida. Volto a mencionar essa necessidade em áreas específicas de atuação jornalística. A formação e a aprovação em exame profissional rigoroso são uma defesa da sociedade contra o arbítrio, contra o uso indevido da comunicação, bem como uma garantia firmadora da democracia plena e do Direito Constitucional de acesso à informação.

Como você vê a manifestação dos profissionais da área?
A reação é legítima devido à preocupação com o esgotamento da profissão jornalística. As faculdades, por outro lado, tendem a se adaptar ao mercado, abandonando um viés ideólogico que tem afastado muitos profissionais da efetiva atuação.

Você acredita no esgotamento da profissão?
Enquanto houver opinião pública, linguagem, comunicação, haverá campo para atuação jornalística, ela não se esgota pela liberdade de expressão, pelo contrário, torna-se ainda mais forte.


E você, o que achou da medida? Mande sua opinião para o e-mail do blog, que será publicada - questaodecomunicacao@gmail.com.

O canal está aberto!

Abraços e até a próxima,
Regina Valente